segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Rubrica "Outro Olhar sobre as Drogas"







Como Detectar o Consumo de Substâncias em Meio Escolar

 

Caro Leitor. Na Escola os jovens com comportamentos agressivos apresentam frequentemente problemas de atenção, fracas capacidades de leitura e défices cognitivos no domínio social, défices sócio-cognitivos estes considerados responsáveis pela agressividade para com os pares. Uma outra característica destes jovens em risco aquando da entrada na escola refere-se ao facto de não disporem de adequado apoio familiar quer do ponto de vista do comportamento, quer do rendimento escolar.

 

Tendo em atenção em estes aspectos, diversas abordagens de prevenção dos comportamentos anti-sociais têm sido concebidas para implementação em contexto escolar. Um aspecto bastante relevante a considerar em meio escolar é a delineação de estratégias centradas na organização e gestão do sistema escolar, as quais visassem essencialmente a promoção de experiências escolares positivas, de forma a reforçar o desenvolvimento de ligações do jovem à escola e diminuir a probabilidade deste de associar a pares delinquentes.

 

Na sala de aula é importante colocar em prática estratégias e técnicas preventivas que visem o estabelecimento de um ambiente positivo para aprendizagem, evitando a ocorrência de incidentes susceptíveis de perturbar as actividades na sala. O cerne destas técnicas preventivas consiste ainda na utilização frequente e apropriada de encorajamentos e elogios com o objectivo de reforçar certos comportamentos desejáveis.

 

Abordagens baseadas nos conceitos de aprendizagem interactiva ou aprendizagem cooperativa têm vindo a ser aplicadas nos últimos anos. Nestas abordagens, o objectivo central consiste em promover oportunidades de participação activa na aprendizagem como as que estão orientadas para a explicitação objectiva das normas de avaliação e demonstração dos progressos na aprendizagem ou as que procuram incentivar a formação de grupos pequenos e heterogéneos de alunos visando o reforçar do sentimento de inter-ajuda e reduzir a alienação na sala de aula.

 

Tendo-se demonstrado que a agressividade no jovem constitui um padrão de comportamento relativamente estável, bem como um factor de risco significativo relativamente ao desenvolvimento de comportamentos anti-sociais, os esforços de prevenção têm-se ainda concentrado na elaboração de programas de resolução de conflitos e prevenção da violência em meio escolar (Andrews e tal., 1995; Etxebarria e tal., 1994).

 

Situações, circunstâncias ou características individuais são factores de risco associados a uma probabilidade de consumo de drogas. Contrariamente, factores individuais e sociais que reduzem esta probabilidade constituem os denominados factores de protecção. Os factores de risco podem ajudar-nos a detectar consumos de drogas em alunos na escola, nomeadamente no Domínio Psico-comportamental: comportamentos problema precoces e persistentes; insucesso escolar; fraca ligação à escola; alienação; rebeldia; atitudes favoráveis ao uso de drogas; consumo precoce de drogas e a ligação a adolescentes que apresentam comportamentos desviantes.

 

É, no entanto, evidente que iniciar-se no consumo de drogas não é, simplesmente, o resultado da presença de um factor de risco, mas antes a consequência de uma acumulação de diversos factores. Por outro lado, estes factores não exercem os mesmos efeitos nos jovens, havendo indivíduos que, apesar das condições fortemente desfavoráveis do meio em que vivem, não desenvolverem qualquer problema relacionado com o consumo de droga.

 

Para uma melhor compreensão destas situações, evoca-se com frequência a noção de factor de protecção. Os factores de protecção funcionam como uma espécie de escudo ou força contrária em relação aos factores de risco. Assim, por exemplo, se um jovem apresenta problemas de aproveitamento escolar (factor de risco), mas tem um ambiente familiar estável e equilibrado a quem recorre em situações de aflição (factor de protecção), o impacto negativo do factor de risco seria consideravelmente diminuído.

 

Dr.ª Teresa Henriques, Psicóloga Clínica, viagemdevolta@gmail.com

 

Sem comentários: